quinta-feira, 3 de novembro de 2016

#128

tragedy is a foreign country. we don't know how to talk to the natives.

 - the disappearance of eleanor rigby

sábado, 28 de março de 2015

#127

Entrei no ônibus e me preparei para antisocializar: coloquei o fone de ouvido que te isola do mundo externo e cochilei. Sentou um cara ao meu lado, daqueles que abrem as asas e ficam fazendo guerra de cotovelo com você. Tentei jogar a mochila mais pro lado, fazer movimentos um pouco mais bruscos, reclamar num grupo do Telegram para ver se ele lia o que eu estava escrevendo sobre ele, mas foi só com uma cotovelada sutil que consegui reconquistar meu território.

Depois de um tempo, ele vira e faz uma pergunta. Tiro o fone de ouvido e ele a repete:

- Você vai pra Niterói?
- Vou.
- Você sabe onde fica o Espaço Cantareira?
- Sei, fica na Cantareira.
- Onde é isso?
- Em frente à praça da Cantareira e à UFF.
- Como chega lá?
- Olha, esse ônibus não te deixa em frente. Mas o ponto mais perto fica a uns 10 minutos de lá. O caminho mais seguro é você ir por ali e ali, porque se você for reto, a rua é meio tensa.

Tento explicar bem, porque recomendar pessoas a não passarem pelo Caminho Niemeyer é quase boa prática da humanidade.

- Quando chegar no ponto mais perto, você avisa?
- Sim.

Coloco o fone de volta e fecho os olhos. Ele continua:

- É que tá rolando uma festa lá. É uma choppada. À fantasia. Por isso tô assim. Tem até peruca.
- Ah, legal.
Nessa hora comecei a pensar “nossa, que cara chato. Que vontade de dar informação errada para ele. Mas não.  *sorriso interno de bondade*”. Ele prossegue:
- E eu não sei chegar lá. To vindo de Copacabana. Aí é longe, né? Tem que estar bem animado pra sair de lá pra cá.
- Tem mesmo.
- Desculpa, não vou mais te perturbar.

Fones de volta. Cochilo travando mais uma guerra de cotovelo com ele, até chegar uma hora que me rendi: me encolhi mais perto da janela para evitar conflitos. E o pensamento de falar para ele saltar depois do Ingá só aumentava. Mas não. *sorriso da bondade*. Depois de um tempo, ele volta a perguntar:

- Você tem aqueles carregadores portáteis? Porque minha bateria tá com 12%.
- Não.
  
Avisei quando chegamos  ao ponto em que ele deveria sair. Ele agradeceu, dando aquele “carinho” no braço. Apenas desnecessário.

O ônibus anda mais um pouco e percebo que a próxima parada o deixaria a uns 3 minutos do Espaço Cantareira, bem mais perto. Comecei a rir internamente-não-tão-internamente do acaso malvado não intencionado. Pensei em karma: isso que dá ser aquela pessoa espaçosa no coletivo, que fica ocupando o seu quadrado. Ela vai acabar pedindo informação para alguém que não tem o menor senso de localização.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

#126

acho que tá permitido o drama emocional.
e acho que estou achando demais.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

#125

acho que já deu de drama emocional.

sábado, 31 de janeiro de 2015

#124

acho que pode ser um sentimento bom.

domingo, 7 de dezembro de 2014

#123

um dia como esse de cosmos e damião
você pode até dançar com damião
mas quem contrariar a lei do cosmos
não vai pagar
já paga ao contrariar

domingo, 30 de novembro de 2014

#122

mais dias ensolarados, por favor.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

#121

respostas não ditas ao machismo-mascarado-defensor-das-vadias-mas-nem-tanto fazem adoecer. o antídoto é o alívio da não-companhia.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

#120

e no mais, tudo na mais perfeita paz
sendo que eu assumo isso mesmo
quando se diz que já acabou
ainda quero morrer de amor

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

#119

é isso. não é isso. decido. marino. ah, as inconstâncias...

sábado, 11 de outubro de 2014

domingo, 10 de agosto de 2014

#117

novos dramas convenientes.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

#116

cego-me e já não tenho senti-dos-mentos.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

#115

fugir dos ciclos viciosos.

domingo, 27 de julho de 2014

#114

inspira inspiração.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

#113

e para se manter a felicidade, o egoísmo.

sábado, 28 de junho de 2014

#112

abrir mão. mãos.

terça-feira, 17 de junho de 2014

#111

era uma filha-quase-mãe, daquelas que ligavam sempre que ela atrasava 15 minutos. ficava olhando pelas janelinhas da porta a movimentação do elevador até que ele parasse no décimo andar com sua presença. só assim para a ansiedade passar. quando a espera era demais, ligava sempre para o número do celular - que se mantém o mesmo há quase 20 anos - para perguntar onde estava. "tô na perimetral", essa era a resposta padrão dela. na época, perimetral parecia ser algo onipresente: estava em qualquer lugar e qualquer lugar parecia ser a perimetral.

mais de 15 anos se passaram após essa fase, e agora a perimetral, a resposta padrão e o lugar onipresente, se resumo à escombros, poeira e barulho. e o "tô na perimetral" virou memória de infância.

ou melhor: virou memória.

¡adiós!

terça-feira, 8 de abril de 2014

#110


#109

you can lose yourself in art or you can break somebody's heart in two.

sábado, 8 de março de 2014

#108

difícil fazer a consciência alheia entender consequências.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

#107

evito.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

#106


(para não esquecer que isso existe)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

#105

uma dose de desapego de pensamentos, por favor.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

#104

foca na doris day e sorria.